Frente fria poderosa avança sobre Quirinópolis, Jatai, Rio Verde e todo Centro Oeste
Em março, eram muitos os alertas que 2018 poderia ter um dos invernos mais rigorosos dos últimos 100 anos no Brasil, houve quem duvidasse, outros até alardearam que as notícias sobre esse inverno rigoroso se tratava de "fake new", mas parece que não.
O certo é que o temido frio, chega já nesse final de semana (19/05/2018). O Poder dessa frente fria rompeu o ar quente e seco estacionado sobre as regiões norte e centro-oeste do Brasil. Preparem-se!!
De acordo com o CPTEC/INMET as temperatura pode despencar abaixo de 10 graus a partir de sábado 19/5
Porque as 'fake news' podem decidir as eleições de 2018?
Enxurrada de notícias falsas nas redes levam autoridades brasileiras a discutir leis para combater o problema. Especialistas, no entanto, alertam para riscos à liberdade de expressão.
O juiz Sérgio Moro é filiado ao PSDB. Os tucanos querem acabar com o Bolsa Família. O filho do ex-presidente Lula é o dono do frigorifico JBS. A ex-presidente Dilma Rousseff tentou o suicídio ao se ver encurralada pelo impeachment. O delator Alberto Yousseff foi encontrado morto na véspera das eleições de 2014.
Essas são algumas notícias falsas, ou fake news, que poluíram as redes sociais e aplicativos de comunicação como o Whatsapp no Brasil nos últimos anos. Elas muitas vezes partem de sites ou perfis que imitam o estilo jornalístico de alguns veículos da imprensa e têm como alvo personagens reais. Seu objetivo é confundir o público ou aumentar a rejeição a uma ideia ou pessoa – ou, em alguns casos, aumentar a popularidade de alguém.
Na era digital, com uso de robôs ou bots, a disseminação desses boatos ganhou ainda mais velocidade. Em alguns casos, os criadores parecem ter objetivos políticos, mas, em muitos outros, a motivação parece ser o lucro gerado pelo cliques que essas notícias sensacionalistas despertam entre os usuários.
Agora, em um ano de eleições gerais, a influência desse tipo de mentira na internet tem provocado preocupação na Justiça Eleitoral e na Polícia Federal. Não restrito ao Brasil, o fenômeno da disseminação das fake news nas redes sociais ganhou relevância em pleitos nos EUA e em países da Europa nos últimos dois anos. De acordo com pesquisa da agência We Are Social, 87,7% dos brasileiros são usuários ativos de redes sociais no Brasil e podem ser expostos às notícias falsas.
Os efeitos
Já em abril de 2016, um levantamento feito pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à Informação (Gpopai-USP) apontou a penetração desse tipo de conteúdo. Três das cinco notícias mais compartilhadas pelos brasileiros no Facebook durante a semana decisiva do impeachment eram claramente falsas. Eram matérias com títulos como "Presidente do PDT ordena que militância pró-Dilma vá armada no domingo: 'Atirar para matar'" que foram originadas em sites com nomes como Diário do Brasil e Pensa Brasil.
Em setembro de 2017, o Gpopai-USP apontou que 12 milhões de perfis online compartilham regularmente notícias falsas nas redes sociais no Brasil. Nem todos os perfis são de pessoas reais. Muitos são os chamados bots, mantidos por programas automáticos. Um estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV apontou que esses perfis pré-programados foram responsáveis por mais de 20% das interações no Twitter relacionadas à greve geral de abril de 2017.
O combate às notícias falsas na internet

O pesquisador Pablo Ortellado, coordenador do Gpopai-USP, aponta que ainda é difícil de mensurar o efeito que tais mentiras podem ter nas eleições deste ano, mas alguns levantamentos oferecem pistas. No protesto contra Dilma Rousseff de 12 de abril de 2016, que reuniu 100 mil pessoas na avenida Paulista, em São Paulo, 71% dos entrevistados pelo grupo apontaram crer que o filho de Lula era dono da Friboi e 53% disseram que a facção criminosa PCC era um braço armado do PT. Mas o fenômeno não é restrito ao universo antipetista. "O mesmo se repetiu em protestos contra a reforma da Previdência, onde um percentual elevado disse acreditar que o juiz Moro é filiado ao PSDB e que a CIA estava por trás dos protestos de 2013", disse Ortellado.
O combate
Em novembro, um relatório da Comissão Europeia apontou com preocupação que a maioria dos Estados-membros da União Europeia não possui legislação específica para combater as fake news. O membro mais avançado nesse sentido é a Alemanha, que no ano passado aprovou uma lei para combater o discurso de ódio na internet e fake news de conteúdo abertamente ofensivo e ilegal. A iniciativa foi apelidada de "Lei do Facebook". A França estuda fazer o mesmo.
No Brasil, a Justiça Eleitoral e várias autoridades policiais também defendem a criação de legislação específica. O secretário-geral da Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luciano Fuck também defendeu o mesmo. "É assunto novo em todas as principais democracias e estamos tentando nos antecipar."
O TSE formou recentemente um conselho consultivo que inclui o governo e órgãos de inteligência para abordar o tema nas eleições. Um dos objetivos é elaborar a sugestão de uma lei sobre o assunto. Órgãos como a Abin e setores de inteligência do Exército devem tomar parte na iniciativa e ajudar a identificar fake news durante a campanha.
Dados da polícia mostram que é de fato difícil chegar aos autores de notícias falsas. Um dos primeiros inquéritos do país que envolveu fake news e eleições se arrastou por quase três anos. A investigação começou na campanha de 2014, após a disseminação de um boato de que a reeleição do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (MDB) estava ameaçada. Após dezenas de entrevistas e um vagaroso trabalho de rastreamento, o autor da mentira, um empresário, acabou sendo indiciado por dois crimes eleitorais.
Assim como no Brasil, a Comissão Europeia montou um grupo de trabalho. Uma das tarefas iniciais será a de elaborar uma definição de fake news, uma expressão que pode ter diferentes significados dependendo do ator que a evoca. Ativistas de movimentos extremistas, por exemplo, usam rotineiramente o termo para desacreditar reportagens de veículos respeitados da imprensa.
Os problemas
Especialistas, no entanto, apontam que mais legislação não é a solução para o problema e que iniciativas do gênero podem flertar com o autoritarismo e acabar cerceando a liberdade de expressão. "É difícil até mesmo definir o que é fake news. A linha é muito tênue. Uma matéria que foi elaborada em boa fé, mas que contém distorções ou erros pode ser enquadrada? E se o problema é só com a forma, um título mais chamativo que contenha imprecisões?", questiona Ortellado. "Existem diversos graus que separam uma notícia exagerada de uma mentira deslavada. Ainda existe o problema do volume e como verificar tudo."
A luta contra o discurso de ódio na internet

Yasodara Córdova, pesquisadora da Digital Kennedy School, da Universidade Harvard, nos EUA, vê com desconfiança iniciativas estatais para conter as fake newsque passam pela retirada e censura de conteúdo nas redes sem qualquer discussão. "Existe um desejo de regular o discurso em redes sociais que não é antigo. Vários congressistas, associados às autoridades policiais e militares, buscam maneiras de rastrear e punir cidadãos que falem mal de políticos online. Mas com as fake news, até certos grupos mais progressistas caíram na tentação de colocar a culpa do discurso extremista em redes sociais dando a desculpa perfeita para que autoridades e políticos proponham a censura como solução para o problema dos boatos e mentiras", disse.

Tanto Ortellado quanto Córdova afirmam que é melhor nenhuma legislação extra do que iniciativas que podem corroer a liberdade de expressão, mesmo que isso signifique conviver por enquanto com algum grau de fake news. "A resolução do problema pode passar pela modernização do judiciário e diminuição na demora do julgamento de denúncias de descumprimento da lei eleitoral. Um reforço das penas para partidos e políticos que fizerem o uso de notícias falsas, ou roubo de identidade, ou até robôs ilegais, com consequências como perda do mandato, também podem servir como parte da solução", disse Córdova.

Ela também aponta que seria eficiente proibir a prática do zero rating – termo que define a prática de operadoras em disponibilizar acesso gratuito a determinadas redes sociais ou apps de mensagens. "Ela dá ao Facebook e ao Whatsapp a preferência desleal no uso da Internet. Como eles são de uso gratuito, sem consumo da banda contratada, o eleitor tende a ficar nessas redes e não consultar os sites de políticos para ver propostas, ou checar notícias, etc. Até mesmo uma consulta no Google pode ficar mais cara do que abrir um perfil no Facebook", afirmou Córdova.
Córdova também criticou a solução alemã para o problema. "Na Alemanha o que aconteceu foi que a regulamentação colocou no colo das plataformas a responsabilidade por julgar se é uma notícia falsa ou não. Não podemos correr esse risco no Brasil. A responsabilidade sobre o conteúdo postado em plataformas não é do provedor de serviços, segundo o Marco Civil. Não acredito que o combate a rumores e boatos, bem como notícias falsas, passe pela censura imediata, sem o devido debate e julgamento próprio", disse.
Já Ortellado aponta que as fake news são o sintoma de um problema mais amplo, e não o problema em si. "A polarização contribui para sua criação e disseminação", disse. "A gente precisa de mais transparência nas plataformas, mas também muita campanha de conscientização entre os usuários, de mais consciência crítica. A difusão dessas notícias depende de nós, que estamos muito polarizados e apaixonado por nossas posições. Nesse ponto, as fake news fazem parte da guerra política. A solução ampla é educar os usuários e a população. Temos um problema real, mas uma regulamentação estatal pode ter um efeito ruim sobre a liberdade de expressão", conclui Ortellado.
Traduzido por Leon Alves Corrêa
em 1/4/2018
fonte: http://www.dw.com/pt
2018 - The Deutsche Welle Brazil - Made for Minds
A Revolução de 1930
Movimento político-militar que derrubou o presidente Washington Luis e impediu a posse do novo presidente eleito Júlio Prestes. O principal efeito da revolução foi a derrubada do grupo até então hegemônico no país, a oligarquia cafeeira paulista.
Populismo
• A década de 30 foi marcada pela condução do governo, por parte de Getúlio Vargas, sobre um equilíbrio instável entre os grupos que o apoiavam
• Os compromissos básicos sobre os quais se assentava os governos da fase populista eram:
a) Não alterar a situação política e fundiária do campo.
b) Trazer para a base de sustentação do governo as massas urbanas sem radicalização
• hegemonia urbano-industrial (em oposição ao modelo agrário-exportador)
A Quebra da Bolsa e a Grande Depressão
As economias capitalistas parecem ser intrinsecamente instáveis. De acordo com a teoria dos ciclos econômicos, períodos de expansão dos investimentos, da produção e do consumo intercalam-se com períodos em que essas mesmas variáveis se contraem. O intervalo entre uma expansão e uma crise costuma variar entre sete e dez anos. Existem registros de várias crises econômicas ao longo da história do capitalismo. A Primeira Grande Depressão ocorreu entre 1873 e 1896; a Segunda Grande Depressão, que normalmente as pessoas chamam apenas de Grande Depressão, ocorreu entre 1929 e 1933.
A crise de 1930 começou com a formação de uma “bolha especulativa” no mercado de ações. Bolha especulativa é um termo muito utilizado por analistas de mercados financeiros. O crash ocorrido na bolsa de Nova Iorque, em outubro de 1929, é, sem dúvida, a bolha especulativa mais famosa da história. Vejamos como tudo aconteceu.
A economia norte-americana apresentava uma forte expansão na década de 1920, em consequência houve um substancial aumento dos lucros das empresas daquele país.
Logicamente, todos queriam aproveitar esse momento favorável e lucrar também, por isso muitos resolveram comprar ações. O crescimento brutal da demanda fez aumentar os preços desses ativos, formou-se, então, uma bolha. Em um determinado momento, várias pessoas perceberam que os preços estavam exageradamente elevados e resolveram sair do mercado.
Essa saída, entretanto, não se deu de forma suave, muito pelo contrário, foi uma corrida para vender rapidamente os papéis antes que desvalorizassem.
Os profissionais de mercado costumam chamar esse fenômeno de “efeito manada”. Como consequência, os preços desabaram e a bolha estourou. A quebra da bolsa foi o estopim de uma grande crise que afetou praticamente todos os países do mundo, exceto a União Soviética.
Somente nos Estados Unidos, a crise gerou 85 mil falências e 15 milhões de desempregados. O comércio internacional também foi bastante afetado com a crise. Estima se que a sua redução tenha sido de dois terços nessa mesma época. Uma das maiores influencias da quebra da Bolsa de Nova Iorque no Brasil foi o Processo de Substituição de Importações que inicialmente foi conduzido por medidas a partir da Era Vargas.
Era Vargas
A ascensão de Getúlio Vargas à presidência do país em 1930 ocorreu devido à cisão política entre as oligarquias estaduais. Nas eleições para a presidência da República em 1930 concorriam o candidato situacionista de São Paulo, Júlio Prestes, e o então presidente da oligarquia dissidente do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas. Foi declarado oficialmente vitorioso no pleito eleitoral o candidato paulista Júlio Prestes que também era apoiado pelo então presidente da República Washington Luís. A Aliança Liberal que impulsionava a candidatura de Getúlio Vargas reclamava o resultado das eleições, considerado fraudulento. Apesar disso, a princípio a Aliança Liberal não exigiu que Getúlio Vargas se tornasse presidente. Essa exigência somente foi feita com o atentado e assassinato do candidato à vice-presidência João Pessoa, em 26 de julho de 1930.
A concentração da influência política em Getúlio Vargas iniciou-se já na organização da Aliança Liberal. Getúlio Vargas mediava com destreza a diversidade de forças políticas presentes nessa aliança que era composta até mesmo por forças opostas como os antigos próceres da Primeira República e por lideranças do movimento tenentista. A Aliança Liberal corria o risco de dissolução antes mesmo de cumprir as reformas nas instituições republicanas a que se propunha. Dentre essas reformas estavam a instalação de uma indústria básica, a centralização do poder e a unificação dos Estados federados.

Governo Provisório (1930-1934)
O Governo Provisório caracterizou-se pelo início no processo de centralização do poder, pela eliminação dos órgãos legislativos (federal, estadual e municipal) e pela criação de novos ministérios (Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e o Ministério da Educação e Saúde).
Após a Revolta Paulista de 1932, Getúlio apresentou a nova Carta Magna em 1934, na qual sancionou importantes atributos políticos, como o voto secreto e o voto feminino.
Governo Constitucional (1934-1937)
O Governo Constitucional é marcado por uma série de revoltas dentro de instituições militares, atribuídas aos comunistas, levando Getúlio a proclamar, em 1937, outra tentativa de golpe comunista, conhecida como Plano Cohen, onde é “forjada” uma Intentona Comunista, considerada a revolta derradeira contra o Governo.
Isso motivou o Presidente a anular a constituição de 1934 e dissolver o Poder Legislativo. Note que essa é uma justificativa para declarar estado de sítio e inaugurar o chamado Estado Novo.
Estado Novo (1937-1945)
O Estado Novo é considerado o período mais repressivo e ditatorial da Era Vargas, quando é proclamada uma nova constituição em 1937, na qual se institui o "Estado Novo" e suprimi a liberdade partidária, a independência entre os três poderes e o Federalismo.
Ademais, a partir de novembro de 1937, Vargas impôs a censura aos meios de comunicação como um modo de fiscalizar os meios de comunicação e impedir a mídia de divulgar uma imagem negativa do governo. No plano econômico, adotou medidas de nacionalização, bem como levou a cabo sua política trabalhista com a concepção da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). No âmbito legislativo, estabeleceu o Código Penal e o Código de Processo Penal.
No dia 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas foi deposto por um golpe militar, sendo conduzido ao exílio na sua cidade natal, São Borja. Porém, em 1951, retornaria à Presidência pelo voto popular, quando lança as bases para criação da Petrobras. Vargas suicidou-se no Palácio do Catete em agosto de 1954, com um tiro no peito e os dizeres: "Deixo a vida para entrar na História".
Curiosidades sobre a Era Vargas
• A Revolução Constitucionalista de 1932 fora uma revolta criada pela elite do PRP (Partido Republicano Paulista) na qual, devido ao descontentamento e apoio de diversos setores da sociedade paulista, iniciou-se um processo armado contra o Estado.
• São frutos da Era Vargas: a Constituição de 1934, a criação da Justiça do Trabalho (1939), instituição do salário mínimo, concretização das Leis do Trabalho (CLT) e da carteira profissional, com semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas.
A participação do Estado na Economia e o Processo de Substituição de Importações (PSI)

O Estado Novo, ultimo período da Era Vargas se destacou na história econômica do Brasil por iniciar um sistemático processo de industrialização do país, baseado na forte intervençãoeconômica do Estado na economia e na substituição de importações. A centralização do poder estatal no período permitiu que houvesse uma grande quantidade de investimento na industrialização, que seria lenta caso se baseasse apenas nos capitais privados da burguesia brasileira. Dessa forma, o Estado Novo era a única instituição capaz de proporcionar a acumulação capitalista no Brasil, necessária ao arranque industrial conseguido com a centralização da política econômica através do planejamento e coordenação nacional de sua execução.
O modelo adotado se espelhava na organização econômica dos países de orientação nazifascista e na URSS, apesar de neste caso não ter ocorrido no Brasil a abolição da propriedade privada. Era notória a admiração de altas autoridades do Estado Novo, como o próprio Vargas e Francisco Campos, pelos avanços econômicos da Alemanha e da URSS. Além do mais, a resolução dos conflitos entre as classes sociais se estruturava de modo semelhante ao corporativismo fascista italiano, com o Estado arbitrando esses conflitos através da institucionalização dos sindicatos de trabalhadores e das associações empresariais. O objetivo dessa estrutura era resolver os conflitos sociais para se alcançar uma pretensa harmonia social.
Na prática foram criados no Estado Novo alguns institutos de ramos econômicos, como o Instituto do Café, o Instituto do Açúcar e do Álcool, entre outros, além de órgãos de coordenação como a Carteira de Crédito Agrícola e Industrial (1937), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (1938), o Conselho Nacional do Petróleo (1938), a Comissão de Planejamento Econômico (1944) etc., sistematizando com essas divisões a execução e planejamento da política econômica.
Para criar as condições gerais de produção do processo de industrialização, o Estado Novo investiu grandes somas de capitais em empresas estatais nos setores de: siderurgia (Cia. Siderúrgica Nacional, Volta Redonda/RJ, 1940); mineração (Cia. Vale do Rio Doce, MG, 1942); mecânica pesada (Fábrica Nacional de Motores, RJ, 1943); química (Fábrica Nacional de Álcalis, Cabo Frio/RJ, 1943) e hidrelétrica (Cia Hidrelétrica do Vale do Rio São Francisco, 1945). O objetivo, nesses setores, era fazer os investimentos de capitais que a burguesia era incapaz de realizar, mas que eram de suma importância para o processo de industrialização, por criar condições de funcionamento a inúmeras empresas industriais, que necessitavam de energia elétrica, transformação de metais, elementos químicos, entre outros, para a continuação de suas atividades produtivas. Todas essas mudanças só foram possíveis graças ao que se chamou de Processo de Substituição de Importações.
As Características do PSI
É uma industrialização fechada pois:
• É voltada para dentro, visa o atendimento do mercado interno.
• Depende de medidas que protegem a industria nacional.
• Desvalorização cambial
• taxas múltiplas de cambio
• tarifas aduaneiras
O PSI: a seqüência lógica
1) Início com um estrangulamento externo gerando escassez de divisas;
2) o governo tenta controlar a crise por meio de medidas que dificultam as importações e acabam por proteger a indústria nacional;
3) gera-se uma onda de investimentos nos setores substituidores de importação, aumentando a renda nacional e a demanda agregada;
4) novo estrangulamento externo em função do próprio crescimento da demanda (volta a 1)
Outras Características do PSI
• O motor do PSI é o estrangulamento externo.
• É uma industrialização por etapas: o apesar de ao final se buscar uma indústria completa, a industrialização se faz por partes (rodadas) o a pauta de importações ditava a sequência dos setores objeto dos investimentos industriais
Análise departamental, Expansão Industrial e Mercado Interno
Com a crise de 1929, houve redução na capacidade de importar do país. Como resultado, fomos obrigados a substituir importações e expandir a produção industrial. Mais precisamente, essa expansão entre 1929 e 1937 foi de 50%.
Pela primeira vez na nossa história, o mercado consumidor interno passou a ser um fator preponderante na dinâmica da economia nacional.
Convém ressaltar, no entanto, que o processo de substituição de importações continha certos limites e contradições. Por exemplo, ao substituir importações, gerava-se, simultaneamente, necessidade de novas importações. Vejamos como isso acontecia. A primeira indústria a ser implantada no Brasil, pela sua complexidade inferior, foi a de bens de consumo não duráveis, como têxteis, chapéus, círios, cigarros, cerveja etc. Todavia, essa indústria gerava uma demanda, até então inexistente, por bens de capital (máquinas e equipamentos) e bens intermediários (matéria-prima), que não eram produzidos no país e que, por isso, teriam de ser importados.
Um outro problema dessa primeira etapa da industrialização por substituição de importações estava na sua incapacidade de acumular capital autonomamente.
Para ampliar a capacidade de produção, o país dependia da importação de bens de capital do exterior, ou seja, havia, no Brasil, um problema de “industrialização restringida”, que só seria resolvido após a implementação do Plano de Metas, durante o governo do Presidente Juscelino Kubitschek, na década de 1950. O Brasil não tinha como expandir sua capacidade produtiva, pois não dispunha de uma indústria de bens de capital. Da mesma forma, houve, também, durante a crise de 1930, um aumento da produção industrial, mas desta vez acompanhada de um aumento da capacidade produtiva. O país ainda não possuía uma indústria de bens de capital, porém, com as falências geradas pela Grande Depressão, foi possível comprar máquinas usadas no exterior por preços relativamente baixos, ou seja, nos dois casos, o país não tinha autonomia no processo de acumulação de capital.
Referência Bibliográfica
Economia brasileira / Antônio Corrêa de Lacerda... [et al.]; organizadores José Márcio Rego, Rosa Maria Marques; colaboração especial Rodrigo Antonio Moreno Serra. — 4.ed. — São Paulo, Saraiva, 201